quarta-feira, 19 de setembro de 2012




Lectio Divina

A Lectio Divina é uma forma de ler as Sagradas Escrituras, por meio da qual, Deus fala conosco. O Padre Paulo Ricardo, através de um vídeo, nos orienta a respeito da Lectio Divina. É bem interessante para quem tem alguma dúvida ou deseja conhecer melhor e praticar esta forma de diálogo com Deus.

Para ver o vídeo, clique aqui!

O Papa Bento XVI fez a seguinte observação num discurso de 2005: “Eu gostaria, em especial, recordar e recomendar a antiga tradição da Lectio Divina, a leitura assídua da Sagrada Escritura, acompanhada da oração que traz um diálogo íntimo em que na leitura, se escuta Deus que fala e, rezando, responde-lhe com confiança a abertura do coração”.


O método tradicional é simples. Depois da invocação
do Espírito Santo, seguem-se 4 degraus: 

1 - Lectio (Leitura)

2 - Meditatio (Meditação)

3 - Oratio (Oração)

4 - Contemplatio (Contemplação)



1º LEITURA
Conhecer, respeitar, situar (o que o texto diz?)

- exige determinação constante e contínua, perseverança, acesso e disciplina;
- não pode ser interesseira, mas deve ser gratuita, em vista do Reino e do bem do povo;
- é ponto de partida e não de chegada, faz o leitor pisas no chão;
- faz algumas exigências: analisar o texto e situá-lo em seu contexto de origem, em três níveis : a) literário ( quem? o quê? onde? por quê? quando? como? com que meios? como o texto se situa dentro do contexto literário do livro de que faz parte?) b) histórico (a história e suas dimensões econômica, social, política, ideológica, afetiva, antropológica e outras) c) teológico (o que Deus tinha a dizer ao povo naquela situação histórica; o que Ele significava para aquele povo; como se revelava; como o povo assumia e celebrava a Palavra do Senhor.

2º MEDITAÇÃO
Ruminar, dialogar, atualizar (o que o texto nos (me) diz?)

- o que é que Deus, através desse texto, tem a dizer hoje, aqui na América Latina, no Brasil;
- é um esforço que se faz para atualizar o texto e trazê-lo para dentro do horizonte da nossa vida e realidade, tanto pessoal como social;
- é uma diligente atividade da mente que, com a ajuda da própria razão, procura o conhecimento da verdade oculta;
- é atingir o fruto do Espírito;
- é semente de oração…a sua prática nos leva à oração.

3º ORAÇÃO
Suplicar, louvar, recriar (o que o texto me faz dizer ao Senhor?)

- como atitude está presente desde o início da leitura orante…no início invoca-se o Espírito Santo;
- mas tem o seu lugar próprio durante a Lectio Divina;
- admiração, “espanto “pelas maravilhas do Senhor;
- a comunitária supõe a pessoal;
- louvor, ação de graças, súplica, perdão, revolta…
- para evitar os conhecidos desvios é preciso que quem reza aprenda a lutar e quem luta aprenda a rezar;

4º CONTEMPLAÇÃO
Enxergar, saborear, agir (o que vejo melhor e vou fazer?)

- é o que sobra nos olhos e no coração, depois que a oração termina;
- cada vez que chego neste degrau, sinto-me reforçado para um novo começo;
- reúne em si todo o percurso da Lectio Divina;
- nela, ao que tudo indica, a experiência de Deus suspende tudo, relativiza tudo e, como que por um instante, antecipa algo da alegria que “Deus preparou para aqueles que o amam” (1Cor 2,9).

Fonte: http://www.jardimdaboanova.com.br/

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Evangelho


Ano B – Dia: 13/09/2012
Sede misericordiosos, como também
o vosso Pai é misericordioso.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 6,27-38
Disse Jesus a seus discípulos:
27A vós que me escutais, eu digo:
Amai os vossos inimigos
e fazei o bem aos que vos odeiam,
28bendizei os que vos amaldiçoam,
e rezai por aqueles que vos caluniam.
29Se alguém te der uma bofetada numa face,
oferece também a outra.
Se alguém te tomar o manto,
deixa-o levar também a túnica.
30Dá a quem te pedir
e, se alguém tirar o que é teu,
não peças que o devolva.
31O que vós desejais que os outros vos façam,
fazei-o também vós a eles.
32Se amais somente aqueles que vos amam,
que recompensa tereis?
Até os pecadores amam aqueles que os amam.
33E se fazeis o bem somente aos que vos fazem o bem,
que recompensa tereis?
Até os pecadores fazem assim.
34E se emprestais
somente àqueles de quem esperais receber,
que recompensa tereis?
Até os pecadores emprestam aos pecadores,
para receber de volta a mesma quantia.
35Ao contrário, amai os vossos inimigos,
fazei o bem e emprestai
sem esperar coisa alguma em troca.
Então, a vossa recompensa será grande,
e sereis filhos do Altíssimo,
porque Deus é bondoso também
para com os ingratos e os maus.
36Sede misericordiosos,
como também o vosso Pai é misericordioso.
37Não julgueis e não sereis julgados;
não condeneis e não sereis condenados;
perdoai, e sereis perdoados.
38Dai e vos será dado.
Uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante
será colocada no vosso colo;
porque com a mesma medida com que medirdes os outros,
vós também sereis medidos.’
Palavra da Salvação.



Comentário ao Evangelho do dia feito por
Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897), carmelita, doutora da Igreja
Manuscrito autobiográfico C, 15v°-16r°

«Amai os vossos inimigos»

«Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem» (Mt 5,43-44). Claro que no Carmelo não se encontram inimigos mas, enfim, há simpatias; sentimo-nos mais atraídas por esta irmã, enquanto aquela nos levaria até a fazer um desvio para não deparar com ela. Assim, sem mesmo o saber, ela torna-se objeto de perseguição. Pois bem, Jesus diz-me que é preciso amar essa irmã, rezar por ela, mesmo que a sua conduta me leve a crer que ela não gosta de mim: «Se amais os que vos amam, que agradecimento mereceis? Os pecadores também amam aqueles que os amam.»


E não basta amar, é preciso demonstrá-lo. Ficamos naturalmente felizes por dar um presente a um amigo, gostamos muito de fazer surpresas, mas a caridade não é isso, pois os pecadores também o fazem. Eis que Jesus continua a ensinar-me: «Dá a todo aquele que te pede, e a quem se apoderar do que é teu, não lho reclames». Dar a todas as que pedem é menos doce que oferecer-se a si mesma num movimento amoroso. [...] Se é difícil dar a quem nos pede, ainda o é mais deixar alguém apoderar-se do que é nosso sem o reclamar. Oh minha Mãe, digo que é difícil, mas deveria antes dizer que parece ser difícil, pois o jugo do Senhor é leve e suave (Mt 11,30). Quando o aceitamos, sentimos logo a sua doçura e clamamos como o salmista: «Correrei pelo caminho dos Teus mandamentos, porque deste largas ao meu coração» (Sl 118,32). Não há como a caridade para dilatar o meu coração, oh Jesus. Desde que essa doce chama o consome, corro com alegria no caminho do Vosso mandamento novo (Jo 13,34).